sábado, abril 15, 2006

Playboy na Indonesia.

Parece estranho comentar isso,a Playboy foi publicada na Indonesia. Sim,e dai? Dai que só agora,em 2006 um país mulçumano publicou uma revista masculina. E mais,houve quebra-quebra no escritório da revista.Um grupinho de radicais vestidos para matar arrebentou o escritório da revista sob as vistas da polícia. O chefe da guarda-sei-lá-o-quê com a cara mais lavada do mundo ainda protestou afirmando que a revista foi avisada a fechar seu escritório mais cedo pois sofreria ataques. É como se a polícia daqui avisasse o cidadão que caso ele saia na rua depois das 22 horas não há como garantir a sua segurança (e o pior que é verdade). E o conteúdo da revista era assim...hum...interessante? Que nada.Não havia nudez! Uma Playboy sem nudez! Os homens devem se excitar com muito pouco então! Um tornozelo...nossa,absolutamente pecaminoso.Ombro nem pensar. Depois chamam isso de cultura. Pra completar,uma lei anti pornografia tramita no congresso (eles tem isso lá? pensei que fosse inspiração divina) e proibe beijos em público. Beijos em público.
Depois dessa damos literalmente graças a Deus por vivermos nesse lado do mundo.
Caçando algo na internet,encontrei um artigo (comentarios e negrito meus):
Por 39.000 rupias (cerca de 3,30 euros) é possível comprar a revista erótica, de periodicidade mensal, mas esta aparição muito controversa apresentou-se como um balde de água fria (banhos gelados são comumentes usados para desinflacionar excitações fora de hora) para os numerosos leitores do maior país muçulmano do mundo.
A revista não continha as esperadas fotos «picantes», condenadas antecipadamente pelos religiosos conservadores indonésios, e apresentava mulheres pouco despidas, no máximo em bikini, e sem poses lascivas (Qual é a graça disso?).
«É vergonhoso ter uma Playboy sem nudez», queixou-se um leitor à rádio 68H de Jacarta (Essa é uma opinião sensata).
«É um escândalo. Não há mulheres nuas nesta revista. Penso que fomos enganados» (Procon neles e cadeia pros mulás), lamentou outro ouvinte.
A capa da primeira edição indonésia da Playboy exibia temas sérios, como uma entrevista a Pramoedya Ananta Toer, o mais célebre intelectual do país, e um artigo sobre a reconciliação com Timor- Leste ( Na Indonesia aquela desculpa de se comprar a Playboy pelo conteúdo intelectual dos artigos funciona).
Esta linha editorial, explicada pela pressão de numerosos grupos islâmicos, não acalmou, no entanto, os radicais muçulmanos.
«Playboy é sinónimo de pornografia. O próprio nome evoca um homem que gosta de brincar com as mulheres ( E se tudo estiver correto o contrário é verdadeiro.Aliás,qual o problema de se brincar? Uma revista pode servir de tanta coisa,como matar baratas,abanar a cara,estofar caixas...Não é só pornografia.Tem alguma sim,mas só pra ser diferente.O importante são os artigos.E mais,o leitor não brinca com mulheres de verdade). Quem pode garantir que eles não publicarão nudez no futuro? (isso seria uma benção para os frustrados leitores)», declarou à AFP Muhammad Rizieq Shihab, líder da Frente dos Defensores do Islão (FPI).
Durante os últimos meses, a FPI e outras organizações muçulmanas conduziram uma campanha contra a Playboy, com o apoio tácito do presidente Susilo Bambang Yudhoyono.
Mesmo que o Islão praticado na Indonésia seja, na sua grande maioria, considerado tolerante, a imprensa indonésia - apenas recentemente emancipada - é ameaçada de censura e move-se dentro de certos limites.
Diário Digital / Lusa http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=222845

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