sábado, abril 08, 2006

Ô Sábado besta.

Não terminei minha semana à inglesa. Folguei no Sábado e terei o Domingo para enfrentar bravamente. Não me desagrada o dia de Saturno. Arrastado é o Domingo com usas Górgonas:Faustão, Gugu e Raul Gil. Fantasia estarrecedora:Um Domingo eterno. Arrepia-me a pele. Prefiro o Sábado. Até porque não estou sujeito a débâcle moral que assanha a alma de puristas domingueiros.Não coloco minha melhor roupa,não vou a igreja bater no peito culpas reais ou imaginárias. Sábado é dia de dormir a tarde toda,escrever um texto despretencioso,rir com os amigos com um copo de cerveja (prefiro o cachorro engarrafado-Uísque),bestar pela praia depois do pôr do Sol,abrir a revista semanal e morrer de preguiça. A noite é dos solteiros e dos gatos pardos.O que dá na mesma quando tratamos de comportamento. Sapatos lustrados,camisa passada,dentes e cabelos escovados,quem sabe aquele perfume de R$ 100,00 pra dar esperança.Depois uma massa de reboco na cara,lustra móveis no nariz e está aberta a temporada de caça. Tiros pra todos os lados. Tanta elegância escorregando pelas pernas... Ainda prefiro o Sábado,afinal o dia não tem culpa dos costumes. Sou quietinho.Olhos atentos valem mil gestos. "Carcaça,por onde me levas?- Tremerias se soubesses..." Sabendo-se administrar as irrelevâncias tudo é possível para os aventureiros -seria esse um sensato conselho para os novatos. Sábado é feito mesmo da juvenília:Corações ao alto buscando paixões nas ruas movimentadas espiando pelos vidros das janelas,sorrindo gratuitamente para todos os lados. Passei por isso e não sai incólume.Navegar é preciso nas águas turbulentas. Apaziguada a carne sobra a mente desperta. Com uma certa idade corar de vergonha não é sinal de virtude. Na que estou o vermelho é só do Sol . Sejamos mais diretos em nossos enlaces pessoais. Nada de tergiversar pois a língua pode sair queimada pelo desejo.
Que seja portanto o salmo de Sábado para reflexão dos fiéis:
(...) Tout droit dans son armure, un grand homme de pierre
Se tenait à la barre et coupait le flot noir;
Mais le calme héros, courbé sur sa rapière,
Regardait le sillage et ne daignait rien voir.

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