quinta-feira, abril 20, 2006

Entre as baforadas

Acendi meu cachimbo cheio de contentamento.Escapei por um triz da chuva que desaba nesse momento na cidade. Quando sai do trabalho passei rapidamente no supermercado e comprei meu ópio norte americano,o sangue negro do capitalismo. A Coca cola me faz feliz durante alguns minutos.Na geladeira do supermercado havia um estoque de garrafas de 3 litros. Quase me voltei para a Meca em agradecimento. Em breve o garrafão de 20 litros. Entretanto quem me diverte agora é o cachimbo cheio de Capitain Black. E a Internet. A chuva cai pesada e o som da água lá fora é tranquilizador. Não saio pra tomar banhos de chuva.Prefiro olhar de um lugar bem aquecido e confortável. Molhado só à revelia.E dessa vez eu venci os presságios.
Ontem foi uma especie de folga. Fui a casa de um amigo pra uma reunião. Minha amiga quase brasiliense apareceu e sentados civilizadamente em torno da mesa de jantar comemos e bebemos em homenagem ao momento e sua inexorável brevidade. Os presentes,quase todos eram dos tempos idos da faculdade. Estima-se que a idade média girava em torno dos 30 anos. Conhece-mo-nos naquele periodo onde é facil travar amizades.Ninguém exige muito de si nem dos outros. Por isso poucas sobrevivem com o passar do tempo.As que chegam no aniversário de uma década estão postulando a vida inteira. E foi assim nossa reunião: Fofocas e desabafos,petiscos e bebidinhas inocentes,fotos digitais,conselhos e risos,confissões um tanto cabeludas-que todos já sabiam e um pouco de saudade.Não exatamente da faculdade. Na época nem nos davamos conta do quanto gostavamos da presença uns dos outros. Só hoje,quando separados se não por 2000 quilômetros,por um cotidiano estafante nos damos conta de apreciarmos a companhia mútua. E como aproveitamos ontem! Ouvir as gargalhadas da minha amiga encheu-me de lembranças. Não somos mais os mesmos e no entanto ainda muito ligados a certos sinais de personalidade. Eu,como sempre sou o discordante. Há o apaziguador.O surreal. Cada um projetou na tela desse encontro algo que lhe identificava como outrora. A estrutura ainda continua-pensei comigo.Bom pra nós.
Logo depois veio a despedida.Depois de um tempo e várias despedidas, a gente parece acostumar-se. Não um adeus,mas um até logo.Retomaremos o fio dessa conversa truncada tão breve seja possivel. Não duvidamos mais dos sentimentos que povoam nosso relacionamento e portanto não há cobranças de fidelidade eterna.Quando isso se mostra é só por charme. Inevitáveis são os longos abraços. Na minha juventude aborrescente tinha uma certa vergonha de abraçar meus amigos.Hoje pouco me importa. Na aborrescência temos muito o que provar.Hoje são outras coisas que testam o aço de minha forja.
Por fim encontrei um texto do meu velho H.D.Thoreau. Ei-lo:
Walden; ou, a Vida nos Bosques
"Eu fui aos bosques porque queria viver deliberadamente, enfrentar somente os fatos essenciais da vida, e ver se eu não podia aprender o que ela tinha a me ensinar, e não, quando viesse a morrer, descobrir que não havia vivido. Não queria viver o que não fosse vida, viver é tão bom; nem queria praticar resignação, a menos que fosse realmente necessário. Eu queria viver profundamente e sorver toda a essência da vida, viver violenta e espartanamente de forma a derrotar tudo que não fosse vida, e reduzí-la aos seus mais simples termos, e, se isso se provasse pobre, porque então alcançar a sua miséria completa e genuína, e anunciar esta miséria ao mundo; ou se fosse sublime, conhecer de experiência, e ter condições de dar um relato fiel disto em minha próxima excursão."

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