sábado, abril 22, 2006

Relevos e abstrações


Dia de Sábado absolutamente comum. Depois de uma noite insatisfatória pude retornar ao lar,doce lar. Ao menos a chuva deu uma trégua e pude chegar seco em casa. O amanhecer foi generoso.Uma garoa fina caia quando as 5 da manhã entrei no supermercado querendo um café. Depois do lanche fui pra parada de ônibus. Nuvens esfarrapadas e muito baixas iam do sul para o norte velozmente. Quem sabe estavam atrasadas pra um encontro sobre o oceano. O nascente apresenteou-se dourado.Uma camada uniforme de nuvens altas difundia a luz do Sol de tal forma que parecia uma coroa escovada de ouro tomando 1/3 do céu e lutando contra o cinza escuro do mau tempo. Ao poente,um arco-íris firme e imenso sustentava o céu.Bem ao sul,um outro arco,esbranquiçado dividia cores claras acima de cores escuras,bem abaixo.Era como uma fronteira entre o dia e a noite,uma batalha ao amanhecer.Ao fundo as montanhas confundiam-se com esse azul escuro e intenso,perdiam-se nebulosas por trás dessa cortina úmida e noturna. Apesar do cansaço, apreciei o céu imensamente. Dentro do ônibus deixei a janela aberta e recebi o vento frio com prazer. A cidade acordava tingida de ouro. Era como se a luz do Sol desentocasse do íntimo das coisas uma natureza insuspeita. Fortaleza lavada pela chuva despertava em lâminas de ouro.
Em casa lavei o rosto.O sono demorou um pouco a vir.Um pouco de televisão resolveu o problema e meti-me sob as cobertas. Sábado absolutamente comum,sem relevos. Apenas a memória do amanhecer recorda-me conteúdos misteriosos.

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